O desejo do brasileiro de caminhar para uma sociedade livre de corrupção

Flipboard Brasil Blog / março 12, 2016

Brazil's construction giant Odebrecht president Marcelo Odebrecht arrives for a hearing of the parliamentary committee of the Petrobras investigation in the Federal Justice court, in Curitiba on September 1st, 2015. Odebrecht is accused of corruption, money laundering and criminal association within the framework of the Lava Jato operation. AFP PHOTO / HEULER ANDREY (Photo credit should read Heuler Andrey/AFP/Getty Images)

As últimas semanas foram marcadas por desdobramentos no cenário politico nacional e pelo aumento do clima de polarização vivido no Brasil.

Na quinta feira, 3 de março, a revista IstoÉ publicou reportagem sobre um suposto depoimento do senador Delcídio Amaral (PT-MS) à PF em que ele acusa Lula e Dilma de tentarem intervir na operação Lava Jato. Ele teria dito também que ambos sabiam sobre a existência de corrupção dentro da Petrobras. A notícia do suposto depoimento de Delcídio esquentou novamente o debate sobre o impeachment de Dilma.

Na sexta-feira, 4 de março, a Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva no prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As principais suspeitas citadas pela Procuradoria se referem ao ex-presidente ter sido favorecido por empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Lava Jato com doações, contratações em palestras e reformas em imóveis supostamente seus – o que ele nega.

Manifestantes contra e a favor de Lula entraram em confronto em frente ao prédio do ex-presidente. A condução coercitiva provocou polêmica nos meios jurídicos e aumentou o clima de polarização política vivido no Brasil. Alguns analistas questionam o modus operandi dos investigadores da Lava Jato e apontam a forte presença midiática como um fator preocupante. Outros especialistas reforçam que a condução coercitiva é prevista e endossada pela Justiça brasileira e que nenhum cidadão está acima da lei. O juiz federal Sergio Moro, que autorizou o mandado de condução coercitiva contra o ex-presidente Lula, afirmou que a operação busca a verdade e não significa antecipação de culpa.

No dia 8 de março, Marcelo Odebrech, ex-presidente e herdeiro da Organização Odebrech – uma das maiores empresas de engenharia e construção da América Latina – foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa, relacionados ao esquema de desvios de recursos da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

Desde então, o clima de tensão política e social tem se acirrado e parece ter atingido o ápice com a denúncia e subsequente pedido de prisão de Lula solicitado pelo Ministério Público de São Paulo. Na denúncia contra o ex-presidente, a Promotoria afirma que o petista escondeu a posse de um tríplex no Guarujá e que este teria passado por reformas feitas pela empreiteira OAS para Lula. O ex-presidente alega que não é dono do apartamento e que ele e a ex-primeira dama, Marisa Letícia, visitaram o imóvel apenas uma vez para avaliar a possibilidade de adquiri-lo.

A denúncia não significa que o ex-presidente tenha virado réu na ação criminal – isso só acontecerá se a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, acatar o pedido.

Apesar das críticas e da forte presença midiática, é certo que a operação Lava Jato envolveu com tamanha gravidade muita gente do alto escalão político e empresarial do Brasil. Independente do desfecho das investigações, a Lava Jato parece ter despertado um desejo de mudança no brasileiro, onde muitas pessoas até então excluídas agora querem fazer parte da democracia e crescimento do país. E o desejo do brasileiro de caminhar para uma sociedade livre de corrupção é o saldo positivo desse período conturbado que o país atravessa.

 

Lava Jato: Acompanhe as últimas notícias da operação Lava Jato e os desdobramentos políticos e sociais.

~CarolF faz a curadoria de “Disque D para Digital”

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