Em semana intensa, Dilma é afastada e Temer assume interinamente

Flipboard Brasil Blog / maio 13, 2016

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O mundo acompanhou de perto o desenrolar dos acontecimentos políticos no Brasil durante essa semana. Após inúmeras reviravoltas, Dilma Rousseff foi afastada da Presidência da República na quinta-feira, 12 de março, depois de o Senado ter aprovado a admissibilidade do processo de impeachment por 55 votos a favor e 22 contra. A suspensão pode durar até 180 dias, período em que Michel Temer assume o cargo interinamente.

Horas depois de receber a notificação de seu afastamento, Dilma fez um pronunciamento oficial e reafirmou que acredita ser vítima de golpe e que lutará até o fim para voltar ao comando do Executivo. Dilma afirmou sofrer “a dor inominável da injustiça” e declarou que pode ter cometido erros, mas não crime. “Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. Esta farsa jurídica da qual estou sendo alvo, é que nunca aceitei chantagem de qualquer natureza. Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes. Estou sendo julgada por ter feito justamente tudo que a lei me autorizava fazer”, afirmou Dilma.

Na própria quinta-feira à tarde, Temer empossou seus novos ministros e, em seu primeiro discurso como presidente em exercício do país, disse ser necessário “fazer um governo de salvação nacional”. “Minha primeira palavra ao povo brasileiro é de confiança”, disse Temer. “Confiança nos valores que formam o caráter de nossa gente, na vitalidade de nossa democracia, na recuperação da economia nacional, nos potenciais do país, em suas instituições sociais e políticas, e na capacidade de que, unidos, poderemos enfrentar os desafios deste momento de grandes dificuldades.”

Em seu pronunciamento, Temer fez aceno ao setor privado, prometendo estímulos ao ambiente de negócios do país e sinalizou que irá manter os programas sociais implementados pelo governo do Partido dos Trabalhadores. Temer também prometeu apoio à Operação Lava Jato, procurando dissipar os temores de que a investigação perca força com a saída de Dilma. Na sexta feira, dia 13, o novo ministro da Fazenda Henrique Meirelles reiterou, durante sua primeira coletiva de imprensa no cargo, que o governo tomará medidas duras mirando o reequilíbrio das contas públicas. Meirelles disse que é preciso haver “avaliação bastante cuidadosa” dos programas sociais, e destacou a sustentabilidade futura da dívida pública como principal prioridade da nova política econômica.

A ausência de mulheres no ministério de Temer foi alvo de críticas, especialmente após um Congresso dominado por homens ter votado para remover Dilma, a primeira mulher na Presidência do Brasil. Think Olga, uma das mais influentes organizações pró-ativismo feminino, se manifestou usando uma imagem do ministério de Dilma onde as mulheres são apagadas da foto. “Lamentamos, mas não seremos combatidas pelo retrocesso. As mulheres vão mostrar seu poder nas ruas / nas urnas / na luta.”, diz o texto acompanhando a foto.

Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, a composição do primeiro escalão do novo governo foi feita por sugestões dos partidos. Padilha mencionou ainda que a chefe de gabinete da Presidência é uma mulher, Nara de Deus Vieira. A controvérsia coloca ainda mais combustível em um dos pontos críticos no debate da crise política: o sexismo.

Para os favoráveis ao impeachment de Dilma, a quinta-feira foi um dia de celebração. Para estes, o afastamento de Dilma representa um novo ciclo de esperança ao país e o primeiro passo para o fim do governo petista, responsável por afundar o Brasil em uma histórica crise econômica e política. Já para apoiadores do governo, a primeira mulher eleita democraticamente para o cargo de presidente da República foi afastada injustamente, em um processo de impeachment manipulado por interesses políticos e pessoais.

Alguns analistas argumentam ainda que Michel Temer possui uma taxa de rejeição tão alta quanto a da presidente afastada e que ele ainda terá que enfrentar a oposição do PT, partido que possui a terceira maior bancada na Câmara e segunda maior no Senado e que não reconhece a legitimidade do novo governo. Além disso, o tempo do mandato de Temer, entre seis meses e dois anos e sete meses, talvez não seja suficiente para implementar as mudanças estruturais necessárias para que a economia do país volte a crescer.

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